Casa Boa é Casa que Abraça
- Maíra Araujo
- 23 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
A arquitetura surgiu da necessidade humana de abrigo desde as cavernas e cabanas, construídas com o que havia à disposição, até os primeiros espaços pensados para proteger do clima e oferecer segurança. Com o passar do tempo, essa função essencial foi se transformando em símbolo de poder, luxo e desejo. Grandes templos, palácios e obras monumentais passaram a expressar cultura, status e domínio.
Hoje, a arquitetura ainda carrega essa herança de exclusividade. Aquilo que nasceu para acolher a todos se tornou, muitas vezes, inacessível para a maioria. A partir da Revolução Industrial, mesmo com os avanços tecnológicos e o crescimento urbano, a arquitetura continuou sendo um privilégio das elites. Mansões, edifícios públicos, museus e sedes de governo eram e ainda são projetados por grandes nomes, voltados para quem pode pagar. Tornar-se arquiteto ou consumir arquitetura de qualidade continuou, por muito tempo, restrito às classes mais altas.
Mesmo com maior acesso à educação e com salas de aula que hoje contam com, por exemplo, 10% de estudantes de baixa renda, a realidade pouco mudou. Ainda predomina a ideia de que arquitetura é “coisa de rico”. A classe média e alta busca assinar seus projetos com nomes renomados, enquanto grande parte da população sequer acredita que tem direito à arquitetura como se fosse um luxo, não uma necessidade básica.
Como arquiteta negra, recém-formada, eu acredito e defendo que a arquitetura não é sobre status é sobre transformar vidas. É sobre melhorar a qualidade dos espaços onde as pessoas vivem, independente de quanto elas podem pagar. Não importa se você tem um sofá de 30 mil reais ou um de mil todos deveriam ter acesso a um lar digno, funcional e acolhedor.
Todos têm o direito de chegar em casa e se sentir bem. Ter uma casa com boa orientação solar, com os quartos voltados para o nascente. Uma casa ventilada, sem mofo, sem infiltrações. Um lar que reflita seus gostos, suas vivências e sua história. Uma estética que acolhe, não que exclui.
A arquitetura que eu prego é aquela em que o bem-estar vem antes do luxo. Uma arquitetura que respeita as pessoas, suas realidades e seus sonhos. Porque o verdadeiro valor de um espaço está em como ele faz viver e não em quanto ele custa.
abaixo um otimo exemplo sobre o que é arquitetura para sentir.
arquitetos: coletivo LEVANTE
fotografia: leonardo finotti








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